SINTRASUL sugere nova política de valorização do Cacau no sul do estado

O protesto contra a importação do Cacau, ocorrido no Porto de Ilhéus, quarta-feira (28), ainda deixa frustração para o setor que luta em busca de solução para sair da crise. A região sul da Bahia ainda vive a esperança de novos tempos com produção abundante e consequentemente, geração de emprego e renda. A crise do Cacau continua despertando as autoridades e na semana passada, houve uma reunião envolvendo membros do governo do estado e também do governo federal.

Nesta quarta (4), houve nova reunião na governadoria, em Salvador, envolvendo o chefe do executivo estadual, Jerônimo Rodrigues, prefeitos, lideranças políticas e representantes de produtores de Cacau do sul da Bahia. As discussões giraram em torno da queda do preço do produto e o impacto na vida dos produtores.

Já em Ilhéus, as discussões continuam e, de acordo com Augustão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral – SINTRASUL, esse é um momento delicado em que as decisões precisam ser pautadas no diálogo com o propósito de resolver a situação de inúmeros trabalhadores que podem ficar no prejuízo, diante da crise. E pensando em resolver a situação, o sindicato dos trabalhadores lançou um pronunciamento que segue:

“O Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral – SINTRASUL vem a público manifestar seu posicionamento sobre os Projetos de Lei que tratam do percentual mínimo de cacau nos chocolates e sobre o debate que, de forma recorrente, tenta associar essas propostas à restrição ou ao impedimento da importação de cacau e de seus derivados.

Desde o início, o Sintrasul considera fundamental esclarecer que a importação não é o problema central da cadeia do cacau no Brasil. O país não produz hoje cacau suficiente para atender à demanda da indústria, realidade estrutural que persiste há décadas. A importação, portanto, é complementar, necessária e estratégica para a manutenção da atividade industrial, dos empregos e do abastecimento do mercado interno.

O verdadeiro desafio que precisa ser enfrentado é outro: a queda relativa, nos últimos anos, do uso de derivados de cacau na formulação de produtos, aliada à necessidade de estimular simultaneamente o aumento do consumo interno de derivados e a ampliação sustentável da produção nacional de cacau.

1. Produção, demanda e segurança econômica caminham juntas

Não há estímulo real ao aumento da produção de cacau sem a garantia de demanda estável e previsível.

Para que o produtor invista, amplie área, renove lavouras e adote boas práticas, é essencial que exista:

•          Uma indústria ativa e competitiva;

•          Mercado consumidor sólido;

•          Segurança regulatória;

•          Fluxo contínuo de compra de amêndoas e derivados.

Qualquer medida que reduza a atividade industrial, gere insegurança regulatória ou comprometa a competitividade do setor afeta diretamente:

•          O emprego industrial;

•          A renda do produtor rural;

•          Os trabalhadores da logística, armazenagem, transporte e movimentação de mercadorias;

•          O consumidor final.

2. Defesa do emprego e da renda

A cadeia do cacau e do chocolate sustenta milhares de empregos diretos e indiretos em todo o país.

Para os trabalhadores representados pelo Sintrasul, defender o emprego significa defender a continuidade da produção, da importação complementar e do escoamento de mercadorias.

Medidas que buscam, direta ou indiretamente, restringir a importação ou engessar a formulação de produtos por meio de percentuais rígidos fixados em lei podem:

•          Reduzir volumes processados;

•          Diminuir a circulação de mercadorias;

•          Aumentar custos;

•          Colocar postos de trabalho em risco.

O sindicato reafirma: não existe proteção ao trabalhador sem atividade econômica sustentável.

3. Importação não exclui o produtor nacional — ao contrário

O Sintrasul entende que importação e produção nacional não são opostas, mas complementares.

A indústria ativa, mesmo quando depende de importação complementar, é o principal motor para:

•          Garantir compra do cacau nacional;

•          Sustentar preços ao produtor;

•          Criar demanda contínua;

•          Viabilizar o crescimento futuro da produção brasileira.

Sem indústria forte e sem consumo crescente de derivados, não há base econômica para expandir a cacauicultura nacional.

4. Qualidade, derivados de cacau e informação ao consumidor

O sindicato é favorável a políticas que:

•          Estimulem o maior uso de derivados nobres do cacau, como a manteiga de cacau;

•          Diferenciem claramente categorias de produtos;

•          Valorizem chocolates de maior qualidade;

•          Garantam informação clara ao consumidor.

Entendemos que a melhoria da qualidade dos produtos deve ocorrer por diferenciação, transparência e estímulo ao consumo, e não por proibições ou restrições que possam reduzir o acesso da população a alimentos industrializados.

5. Respeito à competência técnica e segurança regulatória

O Sintrasul defende que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) continue exercendo seu papel técnico na definição de padrões de identidade, qualidade e rotulagem, assegurando:

•          Atualização constante das normas;

•          Alinhamento com padrões internacionais;

•          Segurança jurídica para trabalhadores, produtores e indústria.

A legislação deve estabelecer princípios e objetivos, preservando a flexibilidade técnica necessária para a evolução do setor.

6. Conclusão

O Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral – SINTRASUL reafirma que:

•          A importação não é o problema da cadeia do cacau;

•          O Brasil precisa aumentar o consumo de derivados de cacau e a produção nacional de forma integrada;

•          Garantir demanda é condição essencial para estimular o produtor;

•          Preservar a indústria é preservar empregos;

•          Melhorar a qualidade dos produtos é beneficiar o consumidor.

Defendemos soluções equilibradas, baseadas em diálogo social, técnica e responsabilidade econômica, capazes de fortalecer toda a cadeia produtiva, gerar emprego, renda e desenvolvimento sustentável.

O Sintrasul se coloca à disposição para contribuir com esse debate e com a construção de políticas públicas que promovam crescimento, inclusão e segurança alimentar”.

Foto: Noel Tavares

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